PERGUNTA: Mas se o homem foi feito "à imagem de Deus" e possui em si mesmo
"o reino divino", por que ele comete equívocos, revela defeitos e até
precisa ser corrigido? Qual o motivo dessa precariedade divina na criatura?
RAMATÍS: Qual seria o valor do homem, criado por Deus para ser feliz por toda
a eternidade, caso ele mesmo não fosse o autor de sua própria
"conscientização"?
Apesar
do protesto justificável, de que não há mérito, nem valor na criatura sofrer,
para depois ser venturosa, muito pior seria se ela fosse um produto
automatizado e elaborado mecanicamente em série. É a auto-realização, a
transformação preliminar, garantia de um futuro venturoso, quando o espírito
sentir, conscientemente, os seus poderes criativos e a possibilidade de plasmar
nas formas do mundo toda a intuição superior, como poesia, arte e imaginação
sublime. Não importa se o homem, em princípio, confunde as quinquilharias dos
mundos físicos transitórios com valores autênticos de sua futura felicidade. O certo
é que ele jamais se perderá nos labirintos educativos das vidas materiais,
porque o seu destino glorioso é a angelitude e a luz que o guia queima no
próprio combustível de sua centelha interna. Sem dúvida, precisa crer e confiar
na pedagogia traçada pelo Criador, cujo resumo o ser possui em sua própria
intimidade espiritual, na síntese microcósmica do "reino divino".
E
para a absoluta segurança da criatura alcançar mais breve e corretamente a sua ventura
eterna, então a Divindade estatui a Lei do Carma, que disciplina, corrige e
retifica os atos insensatos e enfermiços, que o espírito pratica nas vidas
sucessivas na face dos orbes físicos. Assim, nenhuma criatura deve invadir o
direito alheio ou perturbar o destino dos seus companheiros, em curso de
aperfeiçoamento espiritual. Aliás, ninguém pode, sequer, carregar a cruz do seu
irmão e sofrer por procuração quaisquer reações desagradáveis e indesejáveis,
que devem ser vividas pelos próprios responsáveis ou culpados.
O
espírito do homem é o autor do seu destino e pessoalmente responsável pelos efeitos
bons ou maus decorrentes dos seus atos pregressos. Cumpre-lhe a tarefa de despertar
e desenvolver, em si mesmo, os valores íntimos que lhe devem assegurar a vivência
futura entre as humanidades siderais felizes. Ele pode semear dores, júbilos, prazeres
ou tragédias, porém, sob a Lei do Carma, que é inflexível e corretiva, mas
justa e impessoal, o homem é o autor e, ao mesmo tempo, o receptor de todos os
acontecimentos ou males praticados a favor ou contra o próximo. Em face da
advertência insistente de todos os instrutores e mestres da espiritualidade,
enunciando que "a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória", e
que "a cada um será dado segundo as suas obras", ninguém pode alegar
ignorância das sanções da lei cármica, nem atribuir injustiças a Deus.
PERGUNTA:
- Mas se o homem não possui o "livre-arbítrio" de agir a seu
contento, é óbvio que ele também não pode avaliar a natureza incomum e ilimitada
de Deus, o que requer a máxima liberdade de ação. Daí certa descrença e rebeldia
humana. Não é assim?
RAMATÍS: O espírito do homem tem o "livre-arbítrio" e pode agir
até onde não prejudique o companheiro. Mas é insensato se maldisser ou
rebelar-se contra Deus, quando ele, somente ele, é o responsável direto por
tudo o que fizer de mal ou de bem. A legislação disciplinar é tão-somente no
sentido de promover a indesviável ventura de seus filhos e ajustá-los ao
caminho certo e redentor, sem qualquer intenção punitiva. O homem deve aprender
corretamente cada lição ministrada pela vida nas escolas planetárias, sofrendo as
regras disciplinares desse curso educativo, a fim de fazer jus aos direitos incondicionais
no futuro e aos poderes incomuns no seio do Universo. O livre-arbítrio dilata-se
em sua área de poder e capacidade, tanto quanto o espírito também desperta a
sua consciência e já manifesta um comportamento tão sensato e correto, que
jamais causa prejuízos ao próximo.
Só
a ignorância humana de não saber que o Criador permanece integrado na sua própria
obra e pode ser "sentido "pelas suas criaturas, é que induz o homem à
descrença divina. Quem sobrepõe o intelecto orgulhoso da personalidade humana
transitória sobre a intuição do espírito imortal, jamais vibra com a essência
Divina. É o símbolo do "anjo rebelde", que dinamizado pelo
cientificismo querelante, sente-se humilhado em fazer concessões além de si
mesmo. A descrença em Deus não é atestado de inteligência incomum, mas apenas
fruto da excessiva escravidão aos sentidos físicos do homem transitório. Jamais
a criatura poderá equacionar o Universo e assimilar a natureza divina do Criador,
confiando tão-somente nos sentidos, mesmo que amparado pela mais perfeita técnica
instrumental do mundo transitório e limitado, que apenas lhe serve de cenário
de vivência física. Nenhum botânico conseguirá vislumbrar a configuração
majestosa do pinheiro, apenas examinando a contextura superficial do pinhão. Em
consequência, também não se deve confundir a deficiência da sensibilidade
humana, com a conclusão genial de que Deus não existe. Assim como o neurônio do
cérebro humano não está em condições de avaliar o equipo
"psicofísico" do seu dono, a criatura, que é tão-somente uma partícula
microcósmica do Universo, também não está capacitada para julgar e explicar o
Cosmo em todos os seus aspectos.
Do
livro: “O Evangelho à Luz Do Cosmo”
Ramatís/Hercílio Maes – Editora do Conhecimento.
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