Sabedoria Ramatis

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Despachos e "iniciações" com sacrifícios nos ritos e cultos sincréticos distorcidos - l










PERGUNTA: Sendo o transe ritualístico visto como demonstração de possessão demoníaca, as adivinhações e oferendas votivas taxadas de barbarismo primitivo e bruxaria, desde o Brasil colonial até os dias de hoje, e diante de uma sociedade que cobra uma postura ecológica das religiões, não "permitindo" sacrifícios animais, como as tradições africanistas, com todas essas rejeições, saíram das lembranças dos negros escravos e se perpetuaram como práticas vigentes nas coletividades urbanas?



RAMATÍS: - Os padres tiveram interesses ambíguos na catequização dos negros: se por um lado queriam disciplinar as crenças religiosas de acordo com os sacramentos católicos, por outro faziam "vista grossa" às suas danças e cânticos realizados aos domingos e feriados nas fazendas, em frente às senzalas, pois entendiam tratar-se de mero folclore. 
Os clérigos foram engambelados pelos escravos que diziam realizar o "batuque" para os santos católicos, usando porém a língua natal. Agindo dessa forma, mostravam os congás (altares) improvisados num canto da entrada da senzala, junto com as imagens de Jesus, Santo Antônio, São Jerônimo, São Sebastião e São Jorge. Mas em segredo, arriavam as oferendas votivas em local escondido, no chão de seus alojamentos, como firmeza vibratória aos "deuses" cultuados. Longe dos olhos dos brancos católicos, eles "incorporavam" suas divindades, manipulavam objetos, como pedras, ervas e essências, e ofertavam o sangue de animais sacrificados para que fossem vitalizados e pudessem entrar em contato com os planos ocultos, a fim de prever o futuro, curar doenças, melhorar a sorte e transformar os destinos das pessoas. Contudo, se assim fossem vistos pela comunidade eclesiástica, seriam proibidos e acusados de bruxaria, e poderiam perder a vida. Na verdade o ponto central da questão é que na época colonial escravocrata, o catolicismo também possuía um apelo mágico. Era preciso que suas lideranças combatessem a crença primitiva em espíritos diabólicos que podiam se apoderar do corpo dos fiéis, pedir sacrifícios animais sanguinolentos e operar curas, distinguindo-a da fé nos santos, nas almas benditas e milagreiras.
Na opinião dos clérigos, urgia separar o simbolismo ritualístico da ingestão da hóstia, bem como os milagres propiciados pelo corpo e sangue derramado do Cristo na cruz, dos atos concretos, arcaicos e selvagens de negros ignorantes sem alma, mesmo que a hipocrisia dos homens, em seu imediatismo diante das leis cósmicas, ainda hoje não separe uma coisa da outra, eivados que estão de intenções de favorecimento, seja diante do mundo dos Céus católico ou da morada africanista dos orixás.
Com a alforria dos escravos, essas práticas mágicas foram popularizadas e se espalharam pelas periferias das cidades que se formavam.
Os ritos iniciáticos de divinização dos antigos clãs tribais foram terrivelmente distorcidos: os ex-escravos começaram a cobrar pela magia como forma de sobreviver na nova condição de "libertos", desrespeitando o livre-arbítrio dos cidadãos a quem se destinavam suas oferendas votivas pagas, agravando negativamente o merecimento de toda a coletividade, branca e negra, apegada aos fetichismos mágicos de "resultado" imediato. 


(Origem: “A Missão Da Umbanda” Ramatís/Norberto Peixoto – Editora do Conhecimento)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

As diferenças ritualísticas e a formação da consciência umbandista; a união nas desigualdades; religião, filosofia, ciência e arte.






“Ao observarmos o Universo, o macrocosmo e o microcosmo que nos cercam, constatamos que nada é igual, e que Deus, o Pai-Mãe, Olurum, Zambi, Jeová, o Grande Incriado, o Único Eterno, ou como queiramos denominar o Criador, não fez Suas criações todas iguais. Não somos robôs com a mesma programação existencial, pois a diversidade é inerente às almas. Assim sendo, a umbanda nos educa a conviver com essas diferenças, sem o ranço religioso que trazemos em nossos inconscientes milenares, ancorado na disposição psíquica de impor igualdades ao outro. Na verdade, os terreiros são como escolas que nos instruem a aceitar a diversidade ritual com harmonia, numa fraternidade que faz conviver pacificamente com as desigualdades.
É impensável uma entidade militante no movimento umbandista exigir que se deva entrar nesta ou naquela religião, culto, igreja ou filosofia, pois sempre parte da aceitação da fé do consulente, e, a partir daí, o direciona para o amor universal que se esparge em todas as formas de religiosidade existentes na Terra, levando-o a despertar o sentimento crístico de dentro para fora. Portanto, as formas externas em que se amparam nossa religiosidade no meio terreno nada mais são que escoras psicológicas transitórias, cuja finalidade é melhorar nossa compreensão do Divino, de nossa centelha espiritual, e ensinar a nos relacionarmos de maneira mais profícua com o Sagrado, expandindo nossa consciência no sentido de que fazemos parte de uma gigantesca colcha de retalhos que está pacientemente sendo costurada para nossa reintegração cósmica.
Interiorizamos a umbanda no momento em que nossos espíritos vibram integralmente no amor incondicional, e passamos a não impor que "fora de nossa religião, fé ou igreja não há salvação".
Assim como os galhos das árvores são de todos os pássaros, as diferenças ritualísticas na umbanda se moldam à diversidade de consciências existentes e contribuem para a evolução coletiva, qual luz solar que clareia todos os telhados.
A umbanda representa no microcosmo humano a força integradora do Universo. A vibração dos orixás, aspectos diferenciados dessa força integradora, ao convergir para ela, oferece um momento de unificação com o Sagrado durante os seus cultos rituais, como se fôssemos peixes de um aquário que retornam ao oceano.
O Universo é como uma grande fraternidade em que o amor é a base que unifica os espíritos. Assim, mesmo nas dimensões de vida onde prepondera a unidade cósmica, o êxtase espiritual vivenciado pelos seres que ali se encontram não significa igualdade entre as consciências.
A magia na umbanda; as dimensões física, etérica, astral e a movimentação mediúnica de energias entre elas. A importância dos elementos e dos condensadores energéticos: ar, terra, fogo e água, álcool, ervas, fumaça, som; as guias; os pontos riscados; a pólvora; as oferendas; a água.
Os fundamentos do congá (atrator, condensador, dispersor, expansor, transformador e alimentador).”


(Origem: Do Livro “Umbanda Pé No Chão” – Ramatís/Norberto Peixoto – Editora do Conhecimento)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A dualidade do sincretismo na crendice popular: orixás santificados, exus demonizados – Vlll







PERGUNTA: - E quanto a esses terreiros ligados às práticas mágicas populares que dizem cultuar os orixás, locais onde se misturam ritos de sacrifícios animais, comidas e despachos pagos deixados nas vias públicas com os transes mediúnicos dos falangeiros de "umbanda"; afinal, o que se manifesta nesses casos?

RAMATÍS: - Majoritariamente espíritos chumbados na crosta, sedentos das sensações animais, saudosos de quando possuíam um corpo físico; espíritos que se locupletam no mando desses terreiros mantidos pelos fluidos ectoplásmicos exsudados (sangue quente derramado) que os fortalecem no Astral inferior. Assim, obtêm energia para plasmar suas habitações nas zonas densas do Umbral.
Apropriam-se das "coroas" (chacras coronários) dos médiuns que aceitaram a iniciação nefasta do sangue na cabeça, a qual afasta os verdadeiros guias da umbanda, favorecendo-os para que se façam passar por eles, enodoando o sagrado nome da umbanda e mimando seus aparelhos nos gozos sensórios e realizações materiais, uma vez que precisam, em suas hipnoses mentais, até das emanações físicas dos atos fisiológicos eivadas de animalidade que são o comer, o beber, o intercurso sexual entre outros, que os saciam nas insanidades.
Como a Providência Divina em tudo está, os caravaneiros e missionários da umbanda "baixam" em muitos centros como os descritos, nas formas astrais de pais velhos e caboclos, que aos poucos, com humildade no servir e simplicidade nas orientações, permanecem no cantinho do terreiro, quietinhos, podando os atos fetichistas dos filhos-de-santos e amainando a dependência psicológica .dos sacrifícios. Lembrai-vos do exemplo de Jesus, que se impôs indescritível rebaixamento vibratório, para ocupar um escafandro de carne, e mesmo nesse invólucro pesado foi canal do Cristo Cósmico, visitando todos os lugares que se lhe apresentaram enquanto esteve entre vós. Quantos pretos velhos, com seus rosários e galhinhos de arruda, orientam filhos e fazem curas com um simples passe, também nesses locais, libertando aos poucos as consciências e fazendo-as despertar em seus palavreados mansos e matreiros para o fato de que a caridade não mata e de que a umbanda é vida.
Tudo se transforma no Cosmo, e o que parece um absurdo aos olhos julgadores dos que estão na Terra nada mais é do que o tempo necessário às mudanças em vossa transitoriedade no ciclo carnal. A pressa é dos humanos, e os movimentos rápidos são aparentes diante do Universo em sua "lentidão" transformadora e na inexorável atração para Deus, uma vez que Ele em tudo está, mesmo nos lugares que se encontram distanciados d'Ele.


(Origem: A Missão da Umbanda – Ramatís/Norberto Peixoto – Editora do Conhecimento)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Umbanda e influências religiosas, indígenas, negras e brancas - V parte








PERGUNTA: - Umbanda, uma religião brasileira ou afro-brasileira?

RAMATÍS: - Inquestionavelmente a umbanda nasceu em solo pátrio, abrigando influências religiosas indígenas, negras e brancas. Unem-se em suas práticas, tal como está estruturada atualmente, em doutrina mediúnico-espiritualista de terreiro, espíritos de caboclos, pretos velhos e crianças, além de todas as outras formas e "raças" espirituais que as entidades do plano astral utilizam para fazer a caridade, tendo em vista que a umbanda é guindada à universalidade no intercâmbio mediúnico,  preponderantemente com influência africanista, em seu aspecto positivo, benfeitor. É o contrário da rotina fetichista e atávica dos ritos de alguns terreiros eminentemente de cultos africanos e indígenas já distorcidos dos rituais ancestrais das nações e tribos originais de que são procedentes, o que podeis denominar práticas mágicas populares, que não se enquadram nas "normas" do culto umbandista ditadas pelo missionário e luminoso Caboclo das Sete Encruzilhadas, particularmente quanto à gratuidade, dispensa de oferendas votivas com sacrifícios animais e não-utilização de sangue ritualístico. Respeitosamente, e sem excluir nenhuma forma de mediunismo que almeja a caridade com o Cristo, diante da saudável diversidade da umbanda, faz-se necessário, neste momento da formação da consciência coletiva umbandista, distinguirdes as práticas mágicas populares, distorcidas diante das leis de causalidade que regem a harmonia cósmica, do verdadeiro movimento de umbanda, que se espraia na Terra provindo do Espaço com a finalidade de interiorizar nos corações o "espírito" da caridade.
As normas de culto ditadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas servem como balizadores àqueles que estão em dúvida sobre se os terreiros que frequentam são amparados ou não pela Divina Luz.
Está claro que toda sorte de mediunismo tem um valor diante da inexorável evolução dos seres, desde que a cada um seja dado em conformidade com seu merecimento e afinidade, necessidade de retificação e capacidade de assimilação, nada se perdendo do rumo do Pai. Ao público espiritualista que nos é simpático; impõem-nos os compromissos assumidos com os Maiorais do Espaço para ditar elucidações ampliando o discernimento das coletividades encarnadas que nos leem. Assim, esclarecemos que há tipos de rituais confundidos com a umbanda que vão desde a ritual com beberagem de ervas; o tambor de mina, em que se misturam cultos de diversas nações africanas com a pajelança para dar passagem às entidades de cura e para "tirar" feitiço; o catimbó, em que a fumaça da queima de certas folhas oferece êxtase, dando poderes "sobrenaturais" ao pajé e colocando-o em comunicação com os espíritos; o ritual de jurema, em que os "juremeiros" manifestam índios ousados, violentos e ardilosos ostentando enfeites de penas, cocares, tacapes, arcos-e-flechas, dançando em rito exterior que arrebata as populações carentes de assistência social e à saúde, com suas ervas e raízes curativas apresentando proezas fenomênicas entre fogo, brasa e cacos de vidros; bem como os rituais africanistas descaracterizados das matrizes ancestrais das antigas nações. Não vos iludais com as aparências espirituais, em que espíritos com formas astrais símiles aos da verdadeira umbanda nas apresentações e completamente diferentes de sua essência caritativa, alimentam-se energeticamente em ritos "iniciáticos" sanguinolentos, regalados entre danças e acepipes de pedaços de animais sacrificados e farofas, finamente temperados, que enchem as covas estomacais qual enterro famoso em átrio sepulcral, tudo pago para o bem-estar dos médiuns e consulentes. Afirmamos que nada disso é umbanda, enquanto movimento plasmado pelo Cristo Cósmico, que se irradia para a crosta terrícola do Astral superior. Umbanda é uma verdade que independe da vontade e das suscetibilidades feridas de lideranças sacerdotais que conspurcam seu nome sagrado com práticas que não são condizentes com a caridade referendada no Evangelho de Jesus.
Por outro lado, reconhecemos a existência de variados ritos, usos e costumes na umbanda; alguns um tanto fetichistas, outros um pouco distorcidos: aqui um grito exagerado, ali uma apoteose dispensável, acolá um médium envaidecido com o guia "infalível", o consulente desejoso do milagre em seu favor, doa a quem doer. O hábil jardineiro do tempo extrai delicadamente os espinhos para não ferir as mãos. Nem tudo são belas e perfumadas rosas no jardim dos orixás. No atual movimento umbandista, isso é explicável pelo fato de não termos padronização ritualística ou codificação, o que, por sua vez, acaba "enxotando" os dogmas, tornando o movimento dinâmico e sempre evoluindo, como tudo no Cosmo. Oxalá e seus ditames preveem o equilíbrio nessa diversidade.
É oportuno registrar que os costumes africanistas tribais de religiosidade ancestral aportaram no Brasil com acentuadas distorções de suas práticas originais. Já eram atacados pela Inquisição antes de as levas de escravos capturados serem jogadas nos fétidos porões das naus portuguesas.
Via de regra, isso foi intensificado aqui pela continuidade da opressão do clero, que redundou em várias outras adaptações, com raras exceções que conseguiram manter os ritos primários incólumes. Impôs-se uma necessidade de sobrevivência da população negra explorada, "liberta" com a Lei Áurea, que ficou excluída do contexto social e entregue à própria sorte, sem nenhum apoio do Estado monárquico, que se curvava ao controle de um catolicismo arcaico e perseguidor (ambos se beneficiaram da pujança econômica oferecida pelo braço escravo)  Finalmente livres, os negros se viram sem as moedas dos patrões que os alimentavam sem o mínimo para a manutenção de suas vidas. Foram, circunstancialmente, "obrigados" a cobrar pela magia curativa que faziam gratuitamente aos sinhôs e sinhás no recôndito das senzalas de chão batido. Dessa vez, estimulados pelos constantes pedidos dos próprios homens brancos que furtivamente saíam das missas e procuravam as choupanas dos ex-escravos alforriados, os quais subitamente se viram transformados em ilustres magistas de aluguel. Distorceram, portanto, as leis divinas e deu no que deu: o vil mercantilismo religioso que viceja culturalmente em todos os recantos desta nação atual, formando o carma grupal a ser queimado no futuro, assim como foi no passado. Afinal, quando nos vestimos com a roupagem transitória de Pai Benedito, perfilado na linha de frente da umbanda, não fazemos a magia branca de raiz, ancestral e originária do Congo, da Angola, da Etiópia, do Egito ou dos velhos templos da Luz de nossa remota e saudosa Atlântida?
A magia que praticamos do "lado de cá", apátrida, referendada por leis cósmicas universais e imutáveis, não é atingida pelas ilusões dos homens, que infelizmente se perpetuam, pelos equívocos que passam de geração a geração, ao longo das encarnações sucessivas nessa pátria verde e amarela.


 (Origem livro: A Missão da Umbanda - Ramtís/Norberto Peixoto - Editora do Conhecimento)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Umbanda e influências religiosas indígenas, negras e brancas - lV parte









PERGUNTA: - Quais as diferenças entre umbanda e espiritismo?

RAMATÍS: - As peculiaridades que distinguem as práticas espíritas das umbandistas foram aprofundadas em outra obra. É importante relembrar que a umbanda é um movimento espiritualista visivelmente diferente do espiritismo, mas com muita sincronia em vários aspectos, tendo em vista que ambos são regidos pelas leis universais que regulam o intercâmbio entre os planos de vida. A umbanda fundamenta-se na magia e nas forças da natureza manifestadas nos planos das formas (mental e astral), representadas pelos orixás. Ela não concorre com os centros espíritas, que não permitem símbolos mágicos, cânticos, defumações, ervas, essências aromáticas, fogo, pólvora, velas. O espiritismo preconiza libertar os homens das formas transitórias e não aceita a magia em seus postulados doutrinários. Infelizmente, muitos homens ditos espíritas se consideram melhores, superiores e salvos em relação aos umbandistas, condenando equivocadamente a umbanda em suas atividades de intercâmbio com o Espaço. Lamentavelmente, muitos dirigentes zelosos da pureza doutrinária, às escondidas, como criança que rouba doce da geladeira, encaminham consulentes, alvos de magia negra, aos terreiros, abafando esses casos dos estudos doutrinários, mesmo que ocorram diuturnamente em seus centros.

PERGUNTA: - Essa ênfase na umbanda não contraria vosso compromisso de trazer os conhecimentos do Oriente para o Ocidente de forma palatável ao racionalismo ocidental, pouco afeito a símbolos e ao esoterismo?

RAMATÍS: - A umbanda é dinâmica e se adapta aos prosélitos em seus anseios espirituais, desapegada de dogmas intocáveis e engessamentos doutrinários. Como se encerra seu primeiro centenário, período cíclico de sua afirmação, para angariar o máximo de fiéis no menor tempo possível, suas lideranças terrenas não se preocuparam em buscar uma unidade doutrinária mínima. Ela vicejou num meio caracterizado pela variedade de ritos, cultos e símbolos que tendem à "umbandização", acrescidos do sincretismo, como "aval" para a inclusão urbana e social num habitat cultural predominantemente católico. Obviamente haverá continuação desse movimento de forma mais digna, ficando a doutrina de umbanda "depurada", sem traumas ou imposições das lideranças, fato essencial para sua estabilidade; doravante, isso ensejará constante estudo, no sentido de conduzi-Ia, no plano físico, a um conquistado e merecido conceito de religião estruturada, a serviço da coletividade .encarnada e desencarnada da pátria verde e amarela.
A umbanda é produto da evolução espiritual, como tudo no Cosmo. Estando suas origens contidas nas filosofias orientais, com fragmentos mais ou menos acentuados, dependendo de sua origem étnica e geográfica, quanto mais pesquisardes os cultos que deram origem às religiões, do mundo antigo e primitivo ao civilizado e cosmopolita, mais facilmente podereis constatar a procedência e veracidade dos fundamentos umbandistas, desde os idos da antiga raça vermelha, na Atlântida. Verificai a Sabedoria Divina nessa reunião das práticas e crenças dos índios, negros e brancos do Brasil, que vibra em harmonia com nossos compromissos assumidos no Espaço, neste momento consciencial da coletividade terrena, consoante a nova raça que se formará na crosta, fraterna e universalista, num amálgama entre as culturas e filosofias do Oriente e do Ocidente.


PERGUNTA: - Vossa maneira direta e sem rodeios de abordar assuntos polêmicos que outros autores espirituais se eximem de elucidar, num universo caracterizado pela diversidade de ritos, não ocasionará interpretações melindrosas e posturas de parcialidade doutrinária de alguns confrades, lideres da umbanda?

RAMATÍS: - A profícua cultura dos umbandistas, de imparcialidade e de não estabelecer julgamentos belicosos diante da diversidade, não deve vos levar à passividade letárgica que se isenta de apontar desvios estruturais na umbanda praticada na Terra, tampouco fortalecer o temor de ressentimentos e melindres de irmãos de seara. O conhecimento das leis universais estimula aqueles que o detêm. Seres do "lado de cá" indicam fraternalmente o respeito às diferenças, mas sem abrir mão de diretrizes e princípios básicos que norteiam a umbanda: o amor e a caridade crística. Dessa forma, os Maiorais da Grande Fraternidade Universal estão engajados nesses esclarecimentos e nos autorizam a continuar laborando em prol da ampliação do discernimento dos terrícolas. O momento está de acordo com o merecimento coletivo da comunidade encarnada, principalmente quanto à elucidação dos aspectos sociológicos e cósmicos da umbanda. É necessário ampliarmos o entendimento do mediunismo, que não se limita ao espaço da porta de acesso para dentro dos terreiros, mostrando as distorções ritualísticas que aconteceram no processo de inclusão social, nas comunidades da religião nascente, além dos aspectos esotéricos no plano espiritual, em que a umbanda é movimento doutrinário arquitetado do plano astral para a Terra.
É claro que nosso labor mantém os fundamentos verdadeiros já existentes, trazidos pelos diversos canais sérios e fidedignos da espiritualidade, tendo em vista que o novo não destrói o que já está estabelecido, apenas o amplia. Assim, almejamos sacudir a paralisia enraizada em algumas lideranças religiosas da umbanda, desarrumando as mentes acomodadas e parciais, em conformidade com a harmonia cósmica de um universo dinâmico onde tudo se transforma ininterruptamente, de acordo com as leis universais imutáveis.


(Origem livro: A Missão da Umbanda - Ramtís/Norberto Peixoto - Editora do Conhecimento)
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