PERGUNTA:
— Qual a manifestação mais característica dos espíritos perversos, quando se
comunicam pela tiptologia?
RAMATÍS:
— Os espíritos perversos, levianos e escarnecedores enleiam os
encarnados com respostas incompletas e ditam frases tolas à conta de assuntos importantes.
Algumas vezes obrigam os componentes do trabalho tiptológico a longas esperas e
imobilizam a mesinha enquanto se riem à socapa da perplexidade e indecisão
incomodativa que causa. Eles fazem escrever as mesmas palavras inúmeras vezes;
produzem ditados paradoxais, compõem farsas históricas, revelações exóticas e
predizem acontecimentos contraditórios. Um dos seus habituais prazeres é o de
atiçarem a curiosidade dos assistentes, para depois deixá-los a meio caminho.
Os
mais pervertidos aproveitam-se da incipiência, da leviandade ou do interesse
vulgar dos presentes e, através da mesinha, compõem palavras e frases obscenas.
Os mais cruéis transmitem falsos avisos
de morte e semeiam a aflição entre os que os recepcionam, prevendo enfermidades
atrozes; para os doentes eles receitam remédios extravagantes e beberagens
nocivas, à conta de sábias prescrições médicas.
Certas
vezes induzem os seus admiradores às adorações idólatras e os incentivam na
crença de parvoíces religiosas; doutra feita, recomendam o uso de talismãs ridículos,
de insígnias tolas ou de orações misteriosas. Despreocupados de qualquer
conseqüência futura, eles fazem profecias levianas; asseguram excelentes
promoções para os militares, predizem extraordinários sucessos políticos ou
excelentes transações no comércio. Nenhum escrúpulo os detém, pois, conforme já
vos explicamos nesta obra, quando lhes aparece o ensejo oportuno, indicam
tesouros enterrados e traçam roteiros confusos para mortificarem aqueles que
tolamente se lançam à aventura infrutífera.
