PERGUNTA: Que podeis
dizer-nos sobre a existência de uma entidade espiritual eterna, denominada
Lúcifer ou Satanás, ou Diabo, que, segundo afirmam as religiões dogmáticas, era
um anjo-bom que foi exilado na Terra, onde até hoje promove, com poderes
sobrenaturais, invencíveis, a derrocada da obra divina?
RAMATÍS: Satanás, como entidade eterna, é uma lenda, um mito infantil, pois
teria sido criado por Deus, que é o único Criador e que, como Pai, de suprema justiça
e amor, não poderia gerar de sua própria essência angélica uma entidade como
essa. Se Satanás fosse gerado por outrem ou nascido por si mesmo, isso comprovaria
a existência de um outro Deus! E teríamos, então, dois poderes opostos, a se digladiarem
em contínua reação, com o grave perigo de que um dia Satanás pudesse dominar os
mundos criados pelo Onipotente! Se Deus, por vingança, houvesse transformado em
diabo o anjo que ele criara para a felicidade eterna, o fato representaria
terrível desdouro à sua infinita sabedoria, ante o equívoco de criar um ser
perfeito, que termina degenerado. Se Deus não pode dominar Satanás ou evitar
que ele cause a derrocada da obra divina através da tentação das almas em
aperfeiçoamento, quer isso dizer que não é infinitamente poderoso, pois nem ao
menos consegue anular o resultado de sua própria incapacidade divina. Se Deus é
poderoso mas não impede que Satanás, com sua malignidade, seduza os homens,
então não é infinitamente bom, porque é indiferente ao sofrimento dos seus
filhos.