Sabedoria Ramatis

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UMBANDA






Nós do "RAMATÍS - MISSÃO DE LUZ" agradecemos de coração ao Pai Valdo por este belíssimo texto que com respeito e carinho trazemos para o  nosso blog. Um conteúdo honesto e sério que nos ensina mais sobre a nossa Umbanda. Queremos divulgá-lo aqui para propagar estas sublimes ideias, nascidas de um coração amigo. 





A Umbanda que amo...
 


Por pai Valdo
 
Embora o Candomblé seja uma religião respeitável, como todas as religiões, a Umbanda é Umbanda, não é Candomblé. Infelizmente, nessa necessidade de fantasias, muitos dirigentes, que se dizem umbandistas, praticam rituais e atos que são do Candomblé. Acham que “ficam mais fortes”.... Quando se vai acordar para a realidade de que a força é interior e não do exterior, a força é de Deus e não de aparatos externos, a força vem do esclarecimento e não da teatralização?
Ao instituir, em 15 de novembro de 1908, e implantar no Plano físico a religião de Umbanda, o Caboclo das Sete Encruzilhadas deixou claro que estava fundando “uma nova religião cuja base é o Evangelho e o Mentor Maior, o Cristo”. Estamos, portanto, diante da função essencial da verdadeira Umbanda: Evangelizar. Isto significa apontar Jesus como “Caminho, Verdade e Vida” e conduzir os seus adeptos à reforma íntima, mudança de valores, pela extinção da ignorância, da superstição e da crendice, fatores de aprisionamento e estagnação no processo evolutivo.
Ser religião é ser instrumento da misericórdia divina para processar a religação do homem com Deus, da criatura com seu Criador. Esta religação se faz pelos caminhos do Evangelho Redentor, cujo âmago de vivência com Jesus, é a vivência verdadeira do Amor. Por isto o mesmo Caboclo definia a Umbanda como “a manifestação do espírito para a caridade (amor)”.
A partir daí o Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas especificou os 05 fundamentos que norteiam a vivência da religião umbandista em seus Templos, Choupanas, Tendas e Terreiros, ou seja, a de “não matar, não cobrar, vestir o branco, evangelizar e utilizar as energias da natureza para o bem”. Não importa o quanto seja respeitável, compreensível e útil os agrupamentos que se digam religiosos que pululam ao nosso redor, mas, baseado no seu fundador, se extrapola a clareza e pureza destes 05 fundamentos, não pode ser considerado Umbanda e, portanto, eu o digo, não se trata da religião que pratico, embora os respeite.
Na Umbanda tem Iniciações mediúnicas, não boris ou deitadas. E essas Iniciações não são festas de vaidade e exteriorizações, mas chamada ao iniciado para a canalização com os valores energéticos espirituais. São momentos ritualísticos internos, sem festas externas e nem “saídas”, apenas apresentação do médium iniciado no ritual do Templo.
No Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz, como exemplo, só permanece quem busca uma religião interior, uma Umbanda simples, uma Casa doutrinária que pratica o que o Caboclo Ventania de Aruanda chama de Umbanda Espírita Cristã.
É Umbanda por que segue a ritualística simples, bela e a doutrina essencial da Umbanda. É Espírita porque essa doutrina simples da Umbanda, para o Cruzeiro da Luz, é explicada e tem como base a doutrina dos Espíritos codificada por Allan Kardec, como instrumento para enxugar tudo aquilo que for fantasioso e desprovido de valor científico e racional. É cristã porque sabemos que Jesus, nosso Divino Oxalá, é o “Caminho, a Verdade e a Vida”(Jo. 14:6) e que “ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6)), pois Ele é o Cristo Cósmico, o Tutor responsável pelo Planeta Terra, o sorriso de Deus para a humanidade. O Evangelho do Cristo é a fonte básica de todo nosso aprimoramento e reforma íntima.
Mediunidade não é teatro. Essa coisa horrível do trabalho mediúnico sem estudo, sem respaldo doutrinário, onde a ânima do médium se sobressai à comunicação espiritual, leva a médiuns (principalmente na Umbanda) a se obrigarem a dizer que são inconscientes para valorizarem mais as suas fantasias, e impressionar ao público assistente. A ciência mediúnica e a comunicação dos Espíritos afirmam que a inconsciência mediúnica, neste tempo, é quase nula. Noventa por centos dos médiuns são semi-conscientes, até pela necessidade atual do trabalho em conjunto, onde o médium se beneficia com as mensagens dos Guias. Portanto, o resto é pura ignorância, mistificação e falta de fé verdadeira.
Esta Umbanda eu amo. Esta é a minha religião. Esta é a Umbanda vivenciada no Cruzeiro da Luz. Por ela entrego meu tempo, ofereço meus parcos conhecimentos e meus valores, não para enfeitar palco teatral para ninguém. A única estrela da minha vida é Jesus e, acredito, assim deveria ser para todos aqueles que buscam uma religião cristã, e não querem amanhã se decepcionar, como já aconteceu a tantos, inclusive amigos meus, que foram buscar em outras religiões aquilo que acreditam a Umbanda não tem para oferecer.
Esta é minha visão atual de religião e de Umbanda. A Umbanda não pode ser vivida com fantasias, desprovidas de ciência e de Evangelho, que só servem à vaidade, à disputa, aos desencontros e, infelizmente, à negação de tudo aquilo que a palavra religião quer significar. Com respeito caridoso a todos os meus irmãos que pensam diferente, essa é a Umbanda que amo e pratico. Esta é a Umbanda do Cruzeiro da Luz, que está aberto a todos aqueles que, como diz Pai Ventania, já estão cansados de brincar de carrinho e boneca, nas ilusões e fantasias supersticiosas de uma pretensa vivência religiosa, que não consegue dar a paz e a alegria de ser e viver a quem a pratica.
O Templo Umbandista deve levar a todos que o procurem uma vivência religiosa sadia, pois a Umbanda é uma Religião e deve ensinar a todos que a procurem que o primeiro compromisso é consigo mesmo e a sua missão de crescer pelo estudo em si mesmo, na natureza, no seu ambiente e nos livros; pela disciplina pessoal, comunitária e ascensional; e pelo trabalho em benefício de seu crescimento espiritual e de seus irmãos de caminhada.

Pai Valdo (Sacerdote Dirigente do T. E. do Cruzeiro da Luz)



***


PRECONCEITO COM A MEDIUNIDADE DE "INCORPORAÇÃO" - TRANSE DE POSSESSÃO INDUZIDO
  Por Norberto Peixoto. 
   (atual médium de Ramatís)


A umbanda ainda não conseguiu uma organização suficiente para uma unidade mínima de seus rituais e corpo doutrinário. Certo que encontramos muitas expressões ritualizadas diferentes, em conformidade com as consciências simpatizantes que se acercam dos milhares de terreiros existentes. Todavia, os diversos grupos de nossa religião, mantém em comum uma igualdade que podemos afirmar como o “núcleo duro” ou ponto central inquestionável de semelhança na umbanda, que é a chamada mediunidade de “incorporação” ou transes mediúnicos induzidos através de ritos propiciatórios a estados alterados de consciência.  
        Infelizmente constatamos que outras confissões religiosas afirmam que isto é dispensável, um atraso e primarismo espiritual. 
        A respeito do controverso tema, tenho a dizer que os nossos mais fortes aliados na “luta” para evoluirmos num planeta de provas e expiações são nossos ancestrais, conhecidos e cultuados entre quase todas as civilizações antigas, notadamente as silvícolas e africanas, que são antepassados fundamentais na formação da teogonia e doutrina umbandista.
      Há que se registrar que os espíritos ancestrais não são Deuses ou seres glamorosos envoltos em miçangas e girando através do Universo com os seus fantásticos poderes cósmicos para moldar as forças da Natureza. Não por acaso os Eguns, como os nagôs os denominam são representados pelo pano, o tecido envelhecido e rasgado que simboliza a passagem do tempo e o desvanecimento da existência física entre as reencarnações sucessivas. São consciências que evoluem trilhando no mais das vezes as mesmas dificuldades dos encarnados e ainda retidos na roda das reencarnações sucessivas.  
        Infelizmente a comunicação com os espíritos e antepassados, através daqueles que obtiveram as habilidades de mediunidade ao longo da história foi demonizada. Encontra-se no inconsciente coletivo a disseminação dos exemplos da Bíblia de pessoas sendo possuídas ou influenciadas por demônios: Mateus 9:32-33; 12:22; 17:18; Marcos 5:1-20; 7:26-30; Lucas 4:33-36; Lucas 22:3; Atos 16:16-18...
         Nas passagens relatadas de possessão demoníaca; ali o espírito causa séria enfermidade física fazendo o indivíduo rastejar como cobra no chão com inaptidão para falar; lá jovem esposa revira os olhos com sintomas de epilepsia babando intensamente; aqui a paralisia, a cegueira ou a surdez imprevista; acolá obriga que a pessoa faça o mal repentinamente aos seus familiares e o espírito dominador aparentemente dá ao escravizado a habilidade de conhecer coisas além de seu próprio entendimento. Há o caso do possuído por um grande número de demônios, verdadeiro condomínio de espíritos que oferecia força sobre-humana, desde que seu dominado vivesse nu morando nas sepulturas.
        Certo que no contexto de época dos relatos bíblicos havia uma grande variedade de possíveis sintomas de possessão espiritual numa população pecadora sedenta de oferendar para o Divino e obter perdão e favores dos anjos. Obviamente que o primarismo espiritual vigente habitualmente atribuía a um intruso do além túmulo as mudanças de personalidade tais como grande depressão ou agressividade fora do normal, força sobrenatural, uma falta de modéstia com “anormal” interação social, e ainda a capacidade de compartilhar informações que ninguém poderia saber naturalmente – influências de espíritos possuidores do mal.
       Está impregnado nos fulcros mnemônicos mais profundos do inconsciente dos egos encarnados na coletividade atual, sintonizados com uma plêiade de espíritos presos às diversas confessionalidades religiosas no Plano Astral, a memória atávica do preconceito e dogmatismo contra os estados alterados de consciência, especialmente os induzidos por ritos propiciatórios, que despertam intensa rejeição dissimulada por senso de superioridade e falsa noção de maior evolução espiritual, lamentavelmente mais comum nas doutrinas recentes ditas da "Nova Era" do que dissimulam em contrário seus simpatizantes "universalistas".  
       Nos ensinam os amigos espirituais que a pedagogia do Cosmo opera educando para que os fatos manifestos de modo “invulgar” sejam mais tarde compreendidos pela regência natural das leis do mundo transcendental. Assim, mesmo que seja necessária e “indispensável” a mecânica de “incorporação” no seio da coletividade umbandista, por outro lado isto não deve induzir nos adeptos de nossa religião a crença demasiadamente entusiasta nos fenômenos incomuns que conduzem à realidade de espíritos imortais - que somos todos nós.
         Sem dúvida, o planejamento do Alto proporciona “indiretamente” às comunidades de crentes e praticantes das diversas religiões - na Terra e no Astral - os meios de chegarem a conclusões que as farão evoluírem sem a dependência psicológica da intervenção sobrenatural do além túmulo, libertas de métodos ritualísticos escravizantes. Afinal, tudo na ascensão evolutiva rege-se por leis sensatas e igualitárias a todos, independente de credos religiosos, liturgias, tipos de mediunidade, sentenças de superioridades recíprocas ou  denominações doutrinárias terrenas.
            Concluindo este breve artigo, afirmo que todos nós somos espíritos em evolução e, notadamente, nós médiuns de umbanda, temos a oportunidade de vivenciarmos com intensidade o mundo ainda "sobrenatural" para as outras religiões, credos e doutrinas. O mundo "oculto" dos espíritos para nós torna-se natural e sem culpas, desvelado e sem deslumbramentos, modo de ser social e psicológico que é alcançado pela prática contínua dentro dos templos de umbanda, vivenciada nos  transes mediúnicos induzidos através de ritos propiciatórios a estados alterados de consciência, que nos fazem seres humanos melhores no dia a dia e espíritos integrais e amadurecidos com as Leis Evolutivas do Cosmo.
 
Muita paz, saúde, força e união, 
Norberto Peixoto.







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